Design Patterns : O que o tempo me ensinou sobre arquitetura
Source: Dev.to
Introdução
Se você é desenvolvedor, certamente já cruzou com o livro do Gang of Four ou estudou para alguma prova sobre padrões de projeto. No início da carreira, os Design Patterns parecem “receitas de bolo” mágicas. Mas, com o passar dos anos e muitos sistemas colocados em produção, percebemos que a real senioridade não está em decorar esses padrões, mas em saber quando não utilizá‑los.
Trabalhando há algum tempo como desenvolvedor, vejo que os padrões de projeto funcionam como um vocabulário comum. Eles não servem para deixar o código “bonito” ou complexo; servem para torná‑lo sustentável e comunicável. Quando digo “usei um Adapter aqui”, meu colega entende imediatamente a intenção arquitetural sem precisar ler centenas de linhas de código.
Neste artigo, compartilho os padrões que considero essenciais para qualquer desenvolvedor que almeja ou já ocupa uma posição de pleno ou sênior, focando na resolução de problemas reais.
Strategy
Um dos maiores sinais de débito técnico é aquele método que começa com um if e, seis meses depois, tem 15 else if ou um switch gigante.
Strategy separa a regra do contexto. Imagine um sistema de e‑commerce que precisa calcular o frete para diferentes transportadoras. Em vez de um emaranhado de lógicas dentro do serviço de checkout, você isola cada transportadora em sua própria classe.
Visão sênior:
- Facilita o teste de cada estratégia isoladamente.
- Permite adicionar uma nova transportadora sem tocar no código que já está funcionando (Princípio Open/Closed).
Observer / Pub‑Sub
No mundo moderno, sistemas monolíticos e síncronos são gargalos. O padrão Observer (ou sua evolução para Pub/Sub com mensageria) permite que partes do seu sistema saibam que algo aconteceu sem estarem acopladas entre si.
Se um usuário finaliza uma compra, o sistema de estoque, o de notas fiscais e o de marketing precisam ser notificados. Encadear essas chamadas de forma síncrona faz com que, se o serviço de e‑mail falhar, a compra inteira trave.
Visão sênior:
- Desenha sistemas resilientes.
- O núcleo da aplicação permanece agnóstico aos seus periféricos.
- No frontend, usamos isso diariamente com estados globais e eventos; no backend, é a base para arquiteturas orientadas a eventos.
Adapter
O Adapter serve como uma “fronteira”. Você cria uma interface que o seu sistema entende e traduz o que vem de fora para dentro dela.
Visão sênior:
Se o provedor de SMS mudar de empresa ou atualizar a API, você altera apenas o Adapter. O restante do sistema nem percebe a mudança, protegendo o domínio de fatores externos que você não controla.
Evitando Superengenharia
Aqui é onde separamos os profissionais experientes dos teóricos. A maior armadilha de um sênior é a superengenharia.
- Abstração tem custo: complexidade cognitiva. Aplicar um Abstract Factory para algo que nunca terá uma segunda variação é desperdício de tempo e recursos.
- KISS (Keep It Simple, Stupid): a solução mais simples costuma ser a melhor.
- YAGNI (You Ain’t Gonna Need It): não implemente algo pensando que “talvez um dia precisemos disso”. Implemente quando realmente precisar.
Conclusão
Dominar esses padrões é como ter uma caixa de ferramentas completa. Mas, assim como um marceneiro não usa uma serra elétrica para pregar um quadro, o sênior sabe escolher a ferramenta certa para o problema certo.
Manter a clareza mental para tomar decisões arquiteturais exige tanto cuidado com o código quanto com a própria “máquina”. Cuidar da saúde e performance — por exemplo, com suplementação de ômega‑3 para manter foco e cognição afiados — pode ser decisivo, já que arquitetar sistemas complexos é um esporte mental de alto rendimento.
E você? Qual Design Pattern já salvou um projeto seu (ou qual foi usado onde não devia e causou um desastre)? Vamos trocar ideias nos comentários!
Tags: SoftwareArchitecture DesignPatterns Fullstack Programming Seniority CleanCode