Como tirar o mindset de early-stage sem criar burocracia
Source: Dev.to
Contexto
Quando entrei na Monest como Head de Tecnologia, o time de tech tinha 12 pessoas. Um ano depois, somos 35. Esse crescimento muda tudo: processos que funcionavam com 12 pessoas simplesmente quebram com 35. O problema é que ninguém percebe na hora; o time continua operando do mesmo jeito, até que algo estoura. Quando você tenta mudar, ouve a frase que todo líder de tech conhece: “mas sempre foi assim”.
O difícil não é identificar o que precisa mudar, e sim mudar sem transformar a empresa numa máquina burocrática que demora semanas para fazer um deploy. Startups vivem de velocidade; criar processo demais pode matar o que fez a empresa chegar até ali.
Exemplos de processos implementados
A seguir, quatro mudanças concretas que introduzimos e que geraram atrito inicial:
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Testes end‑to‑end (e2e) obrigatórios
- Antes não havia testes automatizados; o time testava manualmente ou não testava.
- Com 12 pessoas, todos conheciam o sistema inteiro.
- Com 35, ninguém tem visão completa, então tornamos os testes e2e obrigatórios.
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Tipagem real no TypeScript
- Nosso “TypeScript” era JavaScript com extensão
.ts, usandoanyem tudo. - Isso funcionava quando todos sabiam o que cada função esperava.
- Implementamos tipagem estrita e, em 6 meses, eliminamos 4.041 erros de TypeScript (detalhes no artigo mencionado).
- Nosso “TypeScript” era JavaScript com extensão
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Observabilidade como regra
- Implementamos New Relic em todos os serviços.
- Antes, um problema em produção exigia um “detetive” reproduzindo o erro localmente.
- Agora sabemos exatamente o que aconteceu, onde e por quê, usando dados em vez de memória.
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RFC (Request for Comments) para novas features
- Antes, alguém tinha uma ideia, conversava no corredor e começava a codar.
- Agora, novas features precisam de um documento mínimo explicando o quê, por quê e como.
- O documento não precisa ser longo, mas deve existir.
Em todos os casos, a reação inicial foi a mesma: “mas antes não precisava”. A resposta não pode ser “agora precisa porque eu mandei”. Isso gera ressentimento.
Resultados
Depois de um ano com essas mudanças, nossos números mostram:
- 50 % menos tickets de suporte
- 36 % menos post‑mortems no Q4 comparado ao Q1, mesmo com o time quase 3× maior e realizando 80+ deploys por semana
Quando você demonstra que a “chatice” gerou resultados concretos, a conversa muda.
Como decidir novos processos
É tão importante saber o que implementar quanto saber onde parar. Algumas diretrizes que adotamos:
- Testes e2e: exigidos, mas sem 100 % de coverage.
- RFC: obrigatório para features novas, mas não para bugfixes.
- Tipagem: correta, porém com migração gradual.
Antes de criar qualquer processo novo, pergunto:
“Isso vai ajudar o time a entregar melhor, ou só vai dar mais trabalho?”
Se a resposta for “só mais trabalho”, não implemento.
Conclusão
Crescer dói. O que funcionava antes deixa de funcionar, e você precisará convencer pessoas a mudar algo que elas não veem como problema. O equilíbrio está em criar processos que protegem a empresa sem gerar burocracia que a trave. Não existe fórmula mágica; é tentativa, erro e atenção constante aos resultados.