Quarkus e Spring Boot: Qual Framework Escolher para Sua Aplicação Java?

Published: (December 25, 2025 at 03:34 PM EST)
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Source: Dev.to

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Spring Boot

O que é Spring Boot?

Spring Boot é um framework construído sobre o Spring Framework que simplifica o desenvolvimento de aplicações Java. Lançado em 2014, tornou‑se a escolha padrão para criar aplicações web, microserviços e APIs REST.

Características Principais

  • Convenção sobre Configuração – vem com configurações padrão inteligentes, reduzindo a necessidade de boilerplate. Você pode sobrescrevê‑las conforme necessário.
  • Ecossistema Extenso – Spring Data JPA, Spring Security, Spring Cloud e muitas outras bibliotecas oferecem soluções para praticamente qualquer necessidade empresarial.
  • Maturidade e Estabilidade – mais de uma década de evolução, documentação completa e comunidade enorme.
  • Desenvolvimento Rápido – com os Starters do Spring Boot você pode scaffoldar um projeto completo em poucos minutos.
  • Suporte a Múltiplos Bancos de Dados – integração fácil com PostgreSQL, MySQL, MongoDB, Oracle, etc.

Performance e Consumo de Recursos

Spring Boot é mais pesado em termos de memória. Uma aplicação simples consome em torno de 100 – 150 MB de RAM e leva alguns segundos para iniciar, pois o Spring carrega muitas dependências e realiza muito processamento em tempo de execução.

Exemplo Básico

@SpringBootApplication
@RestController
public class Application {

    @GetMapping("/hello")
    public String hello() {
        return "Olá, Spring Boot!";
    }

    public static void main(String[] args) {
        SpringApplication.run(Application.class, args);
    }
}

Quarkus

O que é Quarkus?

Quarkus é um framework Java relativamente novo (criado pela Red Hat em 2019) projetado especificamente para a era cloud‑native. É otimizado para containers, Kubernetes e serverless, com foco em tempo de inicialização rápido e baixo consumo de memória.

Características Principais

  • Otimização para Cloud‑Native – pensado desde o início para ambientes containerizados e serverless; suporte nativo a GraalVM para compilação ahead‑of‑time (AOT).
  • Startup Rápido – uma aplicação Quarkus pode iniciar em milissegundos (não segundos como Spring Boot).
  • Consumo Mínimo de Memória – aplicações compiladas com GraalVM consomem entre 10 – 50 MB, muito menos que Spring Boot.
  • Compatibilidade com Spring – suporta as APIs mais populares do Spring, facilitando a migração.
  • Hot Reload – modo de desenvolvimento que recarrega o código instantaneamente sem reiniciar a aplicação.
  • Extensões – sistema de extensões que carregam apenas o código necessário durante a compilação (build‑time).

Processo de Compilação

Quarkus oferece duas formas de compilação:

ModoDescrição
JVMUsa a JVM padrão, similar ao Spring Boot, mas ainda mais otimizado.
GraalVM NativeCompila a aplicação em código nativo, resultando em executáveis muito mais rápidos e com menor footprint de memória.

Exemplo Básico

@Path("/hello")
public class HelloResource {

    @GET
    @Produces(MediaType.TEXT_PLAIN)
    public String hello() {
        return "Olá, Quarkus!";
    }
}

Comparação Detalhada

Tempo de Inicialização

FrameworkTempo típico
Spring Boot3 – 10 s
Quarkus (JVM)1 – 3 s
Quarkus (Native)10 – 100 ms

Vencedor: Quarkus Native, especialmente para aplicações serverless.

Consumo de Memória

FrameworkConsumo típico
Spring Boot100 – 200 MB
Quarkus (JVM)50 – 80 MB
Quarkus (Native)10 – 40 MB

Vencedor: Quarkus Native (significativamente mais eficiente).

Curva de Aprendizado

  • Spring Boot: moderada. Muitos tutoriais, documentação oficial excelente e comunidade enorme. Se você já conhece Spring Framework, a aprendizagem é rápida.
  • Quarkus: moderada a íngreme. Embora suporte APIs do Spring, possui suas próprias convenções e um ecossistema ainda em crescimento.

Vencedor: Spring Boot, pela vasta quantidade de recursos educacionais.

Ecossistema e Bibliotecas

  • Spring Boot: ecossistema gigantesco. Praticamente qualquer biblioteca Java funciona, com suporte nativo de Spring Data, Spring Security, Spring Cloud, etc.
  • Quarkus: ecossistema em rápido crescimento, mas ainda menor. Oferece extensões para as bibliotecas mais populares, embora algumas exijam configuração extra.

Vencedor: Spring Boot, pela quantidade e maturidade das bibliotecas.

Flexibilidade

  • Spring Boot: altamente flexível. Configurações podem ser alteradas em tempo de execução via properties ou código. Suporta múltiplas estratégias de implementação.
  • Quarkus: menos flexível em alguns aspectos, pois muitas decisões são tomadas em tempo de compilação para otimização. Essa limitação é intencional e traz ganhos de performance.

Vencedor: Spring Boot (mas Quarkus compensa com eficiência).

Tipo de Projeto Ideal

Spring Boot é melhor para

  • Aplicações empresariais tradicionais.
  • Projetos com requisitos complexos e mutáveis.
  • Equipes já familiarizadas com o ecossistema Spring.
  • Necessidade máxima de compatibilidade com bibliotecas arbitrárias.
  • APIs REST complexas com múltiplas integrações.

Quarkus é melhor para

  • Microserviços leves e altamente escaláveis.
  • Ambientes serverless ou com restrição de recursos (memória, tempo de startup).
  • Deploys em containers/Kubernetes onde o footprint deve ser mínimo.
  • Projetos que podem se beneficiar de compilação nativa (GraalVM).
  • Equipes dispostas a adotar novas convenções em troca de performance.

Conclusão

Ambos os frameworks são excelentes escolhas, mas atendem a perfis de projeto diferentes. Spring Boot continua sendo a opção mais segura para aplicações corporativas robustas, graças ao seu ecossistema maduro e curva de aprendizado mais suave. Quarkus, por sua vez, brilha em cenários cloud‑native onde tempo de inicialização e consumo de memória são críticos.

A decisão final deve levar em conta os requisitos específicos do seu projeto, a experiência da equipe e as metas de performance e operacionais.


múltiplas integrações

Quarkus é Melhor para

  • Microsserviços cloud‑native
  • Aplicações serverless e FaaS
  • Ambientes com restrições de recursos
  • Containers e Kubernetes
  • Projetos onde startup rápido é crítico
  • Quando você quer minimizar custos de infraestrutura

Migração entre Frameworks

Spring Boot → Quarkus – Possível com esforço moderado se você usar apenas as APIs do Spring suportadas por Quarkus (MVC, Data, Transactions). Bibliotecas customizadas podem precisar de ajustes.

Quarkus → Spring Boot – Bastante direto, pois Quarkus implementa compatibilidade com Spring.


Conclusão

Não existe um “melhor” framework absoluto – depende do seu contexto.

  • Spring Boot é a escolha consolidada para a maioria das aplicações empresariais tradicionais.
  • Quarkus é a escolha superior se você está construindo arquitetura cloud‑native, microsserviços em Kubernetes ou aplicações serverless onde performance e consumo de recursos são críticos.

A tendência é que o Quarkus ganhe cada vez mais espaço conforme mais empresas adotam abordagens cloud‑native. No entanto, o Spring Boot continuará sendo relevante nas próximas décadas devido ao seu ecossistema maduro e vasta base de usuários.

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