Mercado de trabalho para iniciantes na programação pós pandemia. Exploratório ou Nivelador?
Source: Dev.to
Contexto pós‑pandemia
O cenário atual da programação está completamente diferente do da pandemia em 2020. A pandemia foi conhecida como a “Era de ouro”, pois, com a implementação do lockdown, houve uma demanda muito grande de programadores (mercado que já necessitava) nos países, e a maioria não possuía habilidades técnicas (hard e soft skills) aprofundadas para realizar esse trabalho. Pessoas que sabiam uma linguagem de programação e os pilares do front‑end (HTML, CSS e JavaScript) já podiam entrar no mercado de trabalho como estagiário ou até mesmo como júnior.
Em meados de 2022 ocorreu o “boom de programadores”, onde o mercado de trabalho acabou superando historicamente a quantidade de pessoas que desejam trabalhar com tecnologia. Isso acarretou no aumento da régua empresarial, exigindo um conhecimento amplo de tecnologias para conseguir um estágio (caso consiga).
Requisitos atuais para vagas júnior
Um grande exemplo do impacto pós‑pandemia são as vagas postadas no LinkedIn, onde os requisitos para ser júnior são, no mínimo:
- Linguagem de programação
- Pilar do front‑end
- Frameworks
- Versionamento de código
- Protocolos web
- APIs
- Testes
- Banco de dados
- Experiência
A tendência é que esses requisitos aumentem cada vez mais, até que linguagens como COBOL, por exemplo, quase nunca abram vagas para pleno/sênior e ocorra a extinção de estágios e posições júnior.
O Brasil está entre os maiores países formadores de graduados na área de tecnologia, gerando aumento da competitividade no mercado e dificultando a entrada de iniciantes devido às exigências das empresas. As habilidades técnicas demandadas são amplas e complexas, muitas vezes exploradas por empresas que buscam pagar menos para pessoas habilidosas e necessitadas, resultando em “júnior com conhecimento de pleno”.
Impacto da inteligência artificial
A inteligência artificial contribui para a complexidade da entrada de iniciantes no mercado de trabalho?
A resposta é: sim!
Com a evolução constante da IA, o trabalho de um estagiário pode ser, em partes, simplesmente substituído por ferramentas como o ChatGPT ou outras IAs generativas, devido à baixa complexidade exigida. Mesmo que a IA não possua noção avançada da lógica de negócio, um estagiário não realizará tarefas tão difíceis para a IA implementar (as empresas estão focando mais em júnior especializado do que em estágio). Conforme o The Times of India, a integração da IA em operações básicas nas empresas está aumentando a eficiência e produtividade, gerando um “bloqueio” na entrada de aprendizes.