Do Anti-Vibecoding ao Caos: A Saga do 'Ficha Monstra'
Source: Dev.to
Introdução
O projeto Ficha Monstra nasceu de uma mistura de necessidade e impulso: comprei um VPS durante a Black Friday por puro consumismo, queria escrever e aprender mais sobre usar inteligência artificial de forma produtiva no desenvolvimento de software e estava cansado de perder minhas fichas de papel na caixa de fichas de treinos da academia.

Assim surgiu o Ficha Monstra, nome que veio do Gemini.
A premissa era criar uma stack “anti‑vibecoding”: queria estrutura e controle. Escolhi Blazor .NET Core, Identity, Entity Framework e Semantic Kernel no Azure.
Fase da Ordem
Comecei disciplinado. Usei o Gemini apenas para brainstorming e geração de HTML/CSS, mas mantive o controle arquitetural. Criei a solução .NET manualmente (para evitar o vício das IAs em bibliotecas antigas) e usei o Spec Kit para criar uma “Constituição” do projeto, impondo regras rígidas ao modelo.

Desenvolvi telas de autenticação, criação, detalhe, listagem e paginação, integração com Redis Cache, além de um agente integrado com plugins do Semantic Kernel capaz de analisar os exercícios na base e sugerir treinos com base nas informações enviadas pelo usuário. Também implementei validações, testes unitários e integrados – tudo em um dia.
É verdade que o código estava longe da qualidade desejada.
Queda para o Vibecoding
O problema de ver tudo funcionando rápido é que o poder sobe à cabeça. A sensação de invencibilidade me fez abandonar o plano original. De repente, comecei a improvisar outras features não planejadas, como gamificação, múltiplos dashboards e um admin.
O rigor técnico desapareceu. Parei de criticar o código gerado e o resultado foi inevitável: o projeto, antes até “bonitinho”, degradou‑se rapidamente.
Aprendizado
Apesar do caos no código final, houve um brilho técnico: integrei o Playwright com o Gemini via MCP. Ver o modelo “olhando” para a interface e rodando seus próprios testes foi impressionante.

O Spec Kit é uma surpresa; apesar de ser um pouco complicado de entender, ele realmente auxilia e dá controle na hora de criar features.
Às vezes é melhor colocar a mão no código e resolver problemas do que escrever mais um prompt e esperar a solução. É preciso saber identificar quando o modelo está “patinando no gelo”, porque a verdade é que quem vai patinar é você, não o modelo.
No fim, o Ficha Monstra me ensinou que a IA acelera a construção, mas também acelera a criação de dívida técnica se você baixar a guarda. O código gerado pode ser feio e ruim, e é preciso tornar‑se mais revisor do que codificador. Conhecer as bases da engenharia de software faz a diferença.


E me deu uma sensação meio estranha para 2026 de que nada será como antes, MESMO.